Menu:

Síntese Informativa

A Queda da Esplendorosa “Gisberta”

Era uma transsexual de nacionalidade brasileira (do estado de S. Paulo) tinha 45 anos, oriunda de uma família humilde. Nasceu homem por fora e mulher por dentro. Por isso viveu para fazer a mudança de um sexo para o outro e poder assumir inteiramente a sua identidade feminina. Tinha uma pose de senhora: dócil, afável, educada, bem-falante, bem cuidada e no seu registo na Associação de Planeamento familiar, era muito discreta; Maria, a Técnica de Serviço Social desta Associação Local, dizia que “Gisberta” se prostituía desde 1997 nas várias ruas do Porto, mas que estava perfeitamente integrada na comunidade e tinha uma grande autonomia, tendo casa própria e um controlo total sobre a sua vida. Trabalhando em alguns bares à noite começou por fumar um charro, mas esporadicamente.

Era muito lúcida e organizada, fazendo mesmo os seus descontos para a Segurança Social.

Como o “mercado de trabalho” começava a ser diminuto, não tardou muito que iniciasse a sua caminhada para a decadência, acabando na rua como um “sem-abrigo” de pobreza extrema, não se sabendo se a toxicodependência é efeito ou causa. Começou por recorrer a várias Associações pedindo ajuda sobretudo aos balneários, lavandaria e ao refeitório. Iniciava-se um processo de degradação física e a entrada num ciclo vicioso: se não tem boa imagem, não tem clientes, não tem dinheiro.

A solidariedade das redes primárias de “Gisberta” não funcionaram pois todos os amigos se afastaram e naquela noite fatídica o pior aconteceu: 14 miúdos com idades entre os 12 e os 16 anos, agrediram até à morte a “Gisberta”, ocultando o seu cadáver.

A primeira tentação é apontar o dedo à mediatização da violência.

Afinal parece que os miúdos, todos oriundos de famílias desestruturadas vinham há algum tempo tendo “condutas desviantes, fazendo-os sentir originais e unidos”.

Filhos de famílias virtuais, dependentes de Instituições, ou de tráficos ilegais, estas crianças foram traídas desde que se conhecem. São crianças cruéis? Serão eles os principais culpados?

EDUCAÇÃO

Geração em Saldo “Educação/Emprego”

“Ó São Precário, Protegei-nos e nós, precários da terra, fazei com que nos paguem subsídio de maternidade. Protegei as funcionárias dos centros comerciais, os anjos de call center, concedei aos falsos trabalhadores independentes subsídio de férias e reforma, concedei-nos a nós desempregados um emprego estável, rendimentos para todos os serviços gratuitos livrai-nos dos despedimentos malignos.”

Jovens Licenciados, Mestres e Doutorados, solteiros, sem filhos, vivem em casa dos pais, ou dividem a renda com o namorado ou um amigo. Na maior parte dos casos, a família ajuda-os a esticar o ordenado até ao fim do mês.

Na Europa são chamados a “Geração dos mil euros”; em Portugal “geração em saldo”. Carla Caldeira, 30 anos, licenciada e mestre em comunicação, habituou-se a ter a “vida sempre adiada”. Vive ao ritmo dos trabalhos temporários que vai arranjando na área de escrita criativa ou do guionismo. Da única vez que fez um contrato pelo prazo de um ano, alugou uma casa no centro de Lisboa. No resto do tempo tem sido a recibos verdes a troco de mil euros mensais; metade desaparece da conta bancária até ao dia 8 de cada mês para pagar as despesas fixas da casa. A outra parte tem que esticar para tudo o resto. Vive numa incerteza constante por não saber com o que pode contar e quando irá ser dispensada.

Catarina, 31 anos, licenciou-se em História, fez pós-graduação em museologia e, desde então não parou de somar “tempos”: estagiou em Londres, venceu um concurso internacional e foi para o Qatar trabalhar no Museu de Arte Islâmica; regressou depois a Portugal e como não arranjou emprego partiu para França, para o museu do Louvre, onde se autopropôs como estagiária. Passado 6 meses regressou e fez mais um estágio no Museu Machado de Castro, colaborou com o IPPAR em Coimbra e está desempregada há 8 meses a viver do pouco que amealhou nas “Arábias”.

Também Ana, 37 anos, tem um currículo irrepreensível: licenciou-se em Geologia, mestre em Geoquímica Lunar em Inglaterra. Em 2003 teve uma bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia para fazer o pós-doutoramento em Coimbra. Tinha como missão estudar dados obtidos remotamente pela “Mais Express” patrocinada pela Agência Espacial Europeia da qual Portugal faz parte. Só encontrou aqui falta de vontade, de interesse e de espírito de equipa. Resolveu fazer as malas e partir para a Califórnia em busca de melhores dias.

Cláudia, 35 anos, licenciada em Jornalismo está actualmente a trabalhar como técnica auxiliar de educação. Começou por fazer um estágio curricular não remunerado durante 3 meses e foi convidada a prolongá-lo por mais três, que aceitou. Durante 6 meses pagou para estagiar. E depois? Depois propuseram-lhe ficar a troco de 300 euros mensais, a recibo verde. Claro está que vivia em casa dos pais e o dinheiro dava para transportes e alimentação. Durante 13 meses de isenção da Segurança Social, aguentou; trabalhava 15 a 16 horas por dia; tinha responsabilidades de um jornalista mas no papel não deixava de ser estagiária. Pediu que lhe pagassem o ordenado mínimo e a Segurança Social. A resposta foi negativa. Cláudia saiu, outros estagiários continuaram e todos os anos chegavam mais.

Capitalismo Consumista

A Imagem caracteriza uma sociedade típica capitalista consumista. Nela se vê o progresso e o investimento em vias de comunicação (auto estradas) e no tráfico rodoviário intenso. Nota-se que pertence a uma zona urbana.

O nosso país, apesar de se encontrar num grupo de países capitalistas pertencente à Comunidade Europeia, ainda se encontra na cauda da Europa Ocidental.

Há vestígios de capitalismo onde as classes mais altas são cada vez mais rica, as mais baixas no limiar da pobreza e onde a classe média (a trabalhadora) sustenta os serviços sociais através dos seus impostos e das suas contribuições para a segurança social.

A nossa política capitalista assenta no capital social, investimento social e consumo social.

O capital social é financiado pela tributação do capital privado e dos rendimentos salariais. O investimento social é um conjunto de despesas em bens e serviços que aumentam a produtividade e a rentabilidade do capital investido.

O consumo social é um conjunto de despesas com subsídios às classes mais desprotegidas e com políticas sociais: Saúde, educação…

Consumismo capitalista – no nosso país, apesar de pequenino tem uma classe capitalista alta que, apesar de poucos, ostentam o seu consumismo desmedido através de vivendas, carros e novas tecnologias “topo de gama”. Nas classes mais desfavorecidas e a subsistirem com ajudas governamentais também são “ engolidas” pelo consumismo, investindo os seus parcos rendimentos em bens não essenciais, para disfarçarem e tentarem enganar-se a eles próprios (pobreza envergonhada) e à sociedade do seu estado de pobreza. Há também a considerar aqueles que não têm a noção do “sacrifício” dos contribuintes, principalmente a classe média trabalhadora, e que está sempre à espera de “esmolas governamentais” a quem achem que são os culpados desta crise económica que assola os estados membros da União Europeia.

Para se combater este consumo desmedido há que optar por novas políticas de cariz social e, tentar criar estruturas para se investir mais na qualidade de formação profissional e infra-estruturas para criação de postos de trabalho.