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Desespero...

Alfredo Garcia, chefe do posto administrativo de Chire, anda de um lado para o outro preocupado. A povoação acordou rodeada de água e as estradas principais estão cortadas. A água levou as poucas culturas que conseguiram produzir e as muitas “casas” ficaram destruídas. As tentativas de salvamento tornaram-se infrutíferas devido aos escassos meios. Como se não bastasse as 7586 pessoas evacuadas há uma semana, precisam urgentemente de ajuda, principalmente de comida.

As cinco toneladas de milho repartidas por algumas sacas de vinte quilos cada estão a cerca de 30 quilómetros, mas não há transporte.

Os homens reunidos em cima de uma ponte, lugar mais seguro, discutem as poucas alternativas para irem buscar o cereal. Raimundo habitante da localidade, oferece um tractor que tem uma pequena avaria, mas que podem consertar. Pedem então mais alguns atrelados para assim poderem transportar o milho de que tanto necessitam.

As águas subiram ainda mais aproximando-se perigosamente dos locais considerados seguros, que são designados como Centros de Reassentamento.

O que fazer com esta população que de ano para ano vai ficando cada vez mais pobre sem condições para sobreviver?

Não havendo políticas socio-económicas consertadas, tanto a nível particular como estatal, ultrapassar esta crise será uma questão social de todos os tempos.

Aqui a luta não será tanto entre trabalhadores e patrões, mas entre Países mais ricos e estes com mais fracos recursos económicos

A questão social, neste contexto, surge como fenómeno de crescente aumento de situações de pobreza e de exclusão social, potenciadas pelos Países mais ricos que poderiam ajudar a minorar estes problemas, esbatendo-se assim o fosso que existe entre eles.