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A Questão Social do século XIX

 
Os processos de mundialização económica, neste final de século, têm repercutido de forma dramática, nas diferentes dimensões da vida social e no mundo do trabalho.

Limita-se a procurar no mercado, segundo as suas necessidades, a força do trabalho tornando-a mercadoria. É comum a existência da exploração infantil e dos castigos. O operário só conta para sobreviver com a venda da sua força do trabalho, com a da sua mulher e dos seus filhos. Não tem direito a férias, descanso semanal remunerado, licença para tratamentos de saúde ou para qualquer espécie de seguro regulado pela lei. Está sujeito à autoridade absoluta dos patrões; não tem direito a contrato colectivo, nem há necessidades de ensino e cultura.

Neste contexto e durante a década de 1920 há um desenvolvimento moderado, o qual se acelerará na década seguinte com a mobilização da Igreja, surgindo um departamento especializado da Acção Social.

A luta do proletariado pela sua cidadania social abre mais uma área de contradição no sector industrial fazendo com que esse proletariado seja reprimido desmantelando-se assim a sua organização política e sindical.

Surge nesta época o movimento corporativista que será um elemento novo de política social dando mais força e vinculação aos trabalhadores. O trabalho começa por ser apresentado como virtude universal do Homem, actividade que cria riqueza proporcionando o desenvolvimento das sociedades.

Nesta época a Igreja reforça os seus laços com o Estado procurando implantar novas estruturas de assistência dando assim maior atenção à classe operária; com estas condições começou a ser claro para a sociedade a existência da “Questão Social” e da necessidade de procurar melhores soluções para todos os problemas existentes.

Em muitos países começaram a surgir movimentos, quase sempre ligados à Igreja, compostos por representantes da alta burguesia, da juventude estudantil, juventude operária católica, originando assim o 1º centro de Estudos e Acção Social que mais tarde constituíram Centros Operários que serviram como organismos transitórios, na medida em que cederam lugar a Associações de Classe que eram dirigidas pelas “elites operárias”.

Nesta conjuntura foi criado o departamento de Assistência Social e vários grupos de voluntários já actuavam como assistentes sociais não diplomados.

Assim surge a concepção da questão social estando enraizada na contradição capital Vs trabalho, isto é uma categoria que tem a sua especificidade nas expressões do processo de formação e desenvolvimento da classe operária e do seu insucesso no contexto político da sociedade, exigindo o seu reconhecimento como classe por parte dos empresários.

Portanto, questão social é uma contradição fundada na produção e apropriação de riqueza gerada socialmente: “os trabalhadores produzem a riqueza, os capitalistas apropriam-se dela.”

Toda esta desigualdade tem consequências diversas como o analfabetismo, violência, desemprego, fome, as desigualdades e também um processo de resistência e luta dos trabalhadores por melhores condições de trabalho, e pelos seus direitos económicos, sociais, políticos e culturais.